terça-feira, 27 de junho de 2017

Polícia volta a investigar morte de Ana Clara em Caxias do Sul

Os novos indícios, que são mantidos em sigilo, são apurados pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA).

Foto: Jonas Ramos /Agencia RBS

Quase dois anos depois, uma antiga suspeita sobre a morte da estudante Ana Clara Adami, 11 anos, voltou a ser investigada pela Polícia Civil a pedido do Ministério Público (MP). De acordo com a promotora Sílvia Regina Becker Pinto, há um conjunto de informações novas que podem indicar que a criança teria sido assassinada a mando de uma mulher. Os novos indícios, que são mantidos em sigilo, são apurados pela Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA). Para os investigadores da DPCA, porém, a conclusão inicial ainda é de que a estudante morreu durante um roubo frustrado. As informações são do jornal Pioneiro.

A hipótese é referente a uma suposta briga de Ana Clara com outra garota. A mandante do crime, portanto, poderia ser a mãe desta menina: uma mulher com diversos antecedentes criminais e que está recolhida por outros crimes no Presídio Regional desde outubro. Por esta linha de investigação, o autor do disparo continuaria sendo Gedson Pires Braga, o Cavernoso, 24. O suspeito, no entanto, foi assassinado um mês depois do crime em uma disputa pelo tráfico de drogas no bairro Euzébio Beltrão de Queiróz.

A possibilidade de Ana Clara ter sido ameaçada por um colega era cogitada desde o início do inquérito policial, porém nenhuma diligência confirmou a suspeita. Na época, o delegado Joigler Paduano solicitou a quebra da privacidade de um perfil no Facebook. O acesso à Policia Civil foi determinado pela Justiça, contudo a representação brasileira da empresa responsável pela rede social respondeu que a solicitação precisava ser enviada à sede nos Estados Unidos. O documento foi traduzido e remetido, mas ainda não houve resposta. Essa seria uma das razões para o inquérito policial ainda não ter sido concluído.

— Queremos exaurir todas as linhas de investigações. Mas não acredito em um fato novo. Mais de 20 crianças foram ouvidas e não há nenhuma prova neste sentido (das ameaças). Os indícios apontam para uma tentativa de roubo a pedestre — afirma o delegado Joigler Paduano.

Investigadores acreditam em roubo frustrado

O assassinato de Ana Clara é um dos casos de maior repercussão em Caxias do Sul nos últimos anos. A menina morreu com tiro nas costas quando seguia com uma amiga para a catequese no bairro Pio X, no dia 16 de julho e 2015.

Desde o início da investigação, Braga sempre foi apontado como o único suspeito. Uma testemunha confirmou ter visto o jovem circulando pelas ruas do Pio X nos dias anteriores à morte da criança. Naquela época, moradores também afirmaram que dois homens cometiam roubos a pedestre em ruas do bairro. Relatos de conhecidos do suspeito indicaram que um desses assaltantes seria Braga, que estaria cometendo pequenos roubos supostamente para comprar drogas e saldar dívidas com um traficante. Numa das investidas, teria decidido atacar Ana Clara e a amiga dela a poucos metros da Igreja Pio X. As duas meninas estavam sozinhas e com celulares à mostra, o que chamou a atenção de Braga. Naquele momento, não havia outras pessoas naquela quadra.
As garotas estavam de costas e não perceberam a aproximação do jovem. Com base numa perícia e no relato da amiga da estudante,os investigadores concluíram que Braga sacou a arma e disparou acidentalmente antes mesmo de anunciar o roubo. Assustado com o disparo, ele fugiu sem roubar nada. Ana Clara morreu mais tarde no hospital.

Dias depois, a colega da vítima esteve na delegacia para o reconhecimento de suspeitos por meio de fotos. Ela apontou Braga como o autor do crime, mas não deu 100% de certeza por um motivo: ela viu o atirador apenas de relance. O suspeito foi descrito na época como moreno claro, de cabelo curto e aparentando cerca de 20 anos, características semelhantes a de Braga. O reconhecimento pessoal, que estava nos planos da DPCA, não ocorreu justamente em razão da morte do suspeito.

Depoimentos de outras pessoas também reforçam os indícios contra o jovem. Vizinhos do Euzébio Beltrão de Queiróz, comunidade onde Braga morava, estranharam o comportamento dele. Na mesma tarde em que Ana Clara foi baleada, ele chegou no bairro apavorado e repetia a conhecidos: "fiz merda, fiz merda". Contudo, não revelou o que havia ocorrido.

Fonte: Gaúcha

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