quarta-feira, 31 de maio de 2017

Polícia descarta relação entre casos de duplo assassinato em Santo Antônio da Patrulha

Dois homens foram assassinados em um ataque a uma casa na madrugada desta quarta; Na segunda, tio de 20 anos e sobrinho de 4 foram mortos de forma semelhante.

Apesar da brutalidade e da semelhança entre as ações, a Polícia Civil descarta que os casos de duplo assassinato registrados em um intervalo pouco superior a 24h em Santo Antônio da Patrulha, no Litoral Norte, estejam relacionados. O motivo para ambos, no entanto, são os mesmos: disputas ligadas ao tráfico de drogas no município de pouco mais de 42 mil habitantes.

Na madrugada desta quarta-feira (31), um ataque a tiros matou dois homens e deixou quatro feridos. Conforme a investigação, de nove a dez criminosos, em três carros, invadiram uma casa na Rua Paulo Fernandes Machado, no Bairro Passo dos Ramos. Aos gritos de "polícia", arrombaram portas e abriram fogo com pistola 9 milímetros, revólver calibre 38 e ainda uma escopeta calibre 12 contra os homens que estavam no local.

Morreram na hora Pedro Henrique Silveira Portal e Marco Aurélio dos Santos Medeiros, ambos com antecedentes por roubo a residência, corrupção de menores e porte ilegal de arma de fogo. A idade deles não foi confirmada.

Os feridos, que não tiveram nomes revelados, foram socorridos por ambulâncias e levados para hospitais da região. Um deles recebeu alta na manhã desta quarta. Ele deve ser peça chave na investigação policial, para identificar os atiradores.

Os investigadores acreditam que o local atacado hoje era um ponto de venda e consumo de drogas, e por isso havia tantos homens na casa.

De acordo com o delegado Valdernei Tonete, o ataque desta madrugada foi cometido por uma facção criminosa ligada ao tráfico de drogas, mas não foi uma represália aos assassinatos de tio e sobrinho, de 20 e 4 anos, no final da noite de segunda. Eles foram identificados como Pedro Ramon da Silva Conceição e João Pedro da Silva Conceição.

"Está em curso em Santo Antônio da Patrulha, assim como em todo o Litoral Norte, uma guerra entre duas facções criminosas que começaram em Porto Alegre e se espalharam pelo Estado. Agem de forma violenta, e deixarão ainda mais vítimas por aqui", comenta o delegado, que se mostra surpreso com a sequência de crimes.

Poucas informações
Com os dois inquéritos para investigar, o delegado lamenta que as testemunhas tenham medo de prestar informações à Polícia Civil. No caso do assassinato de tio e sobrinho, apesar de um outro familiar estar na casa no momento da ofensiva, as informações colhidas até o momento são superficiais.

"Os parentes dele são envolvidos com o tráfico. O jovem que morreu era um dos membros da família que não tinham envolvimento, além da criança. Não temos testemunha nenhuma", admite.

Na ofensiva contra os familiares, mais de cem tiros foram disparados. 93 cápsulas deflagradas foram apreendidas pelo Instituto Geral de Perícias. Foram usadas submetralhadoras.

Em dois dias, a metade de homicídios de um ano
Em 2016, Santo Antônio da Patrulha teve nove pessoas assassinadas, segundo os indicadores criminais da Secretaria de Segurança Pública.  O intervalo de pouco mais de 24h deixou quatro vítimas, quase a metade do número do ano passado.

Nos três primeiros de 2017, foram três pessoas assassinadas. A Polícia Civil não confirmou o número total após março.

GAÚCHA

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