quarta-feira, 15 de março de 2017

"O que me deixa mais triste é que é só promessa", diz padrasto de universitário morto em assalto

Estudante é a nona vítima de latrocínio neste ano em Porto Alegre; crime ocorreu quando ele chegava em casa, na zona norte.

Foto: Reprodução /Facebook

Abalado pelo assassinato do enteado Gabryel Machado Delgado, de 20 anos, o agente funcionário Cesar Fernando Morais cobrou as autoridades contra a falta de segurança em Porto Alegre. O universitário foi morto durante assalto na noite de terça-feira quando chegava em casa. O padrasto do jovem criticou o não cumprimento de promessas pelo poder público e apelou para que seja "feita alguma coisa, mas não amanhã: hoje".

"O que me deixa mais triste é que é só promessa. Sei que não tenho como trazer o Gabryel de volta, é mais fácil eu me encontrar com ele e com a mãe dele (que já faleceu)", desabafou em entrevista ao programa Timeline Gaúcha, nesta quarta-feira.

"Chega, chega chega! Hoje foi o meu filho. Eu peço para as autoridades: vocês têm o poder, têm a caneta na mão, vamos lá, vamos para frente".

Gabryel era estudante de Marketing da Faculdade de Desenvolvimento do Rio Grande do Sul (Fadergs) e voltava da aula quando foi abordado por um ladrão na frente do prédio em que morava, na Avenida Pernambuco, bairro São Geraldo, na zona norte da Capital. Segundo a Polícia Civil, o jovem desceu do ônibus e parou para conversar com um amigo quando foi abordado por um assaltante que exigiu o celular do estudante. Mesmo tirando o aparelho do bolso, Gabryel levou um tiro na cabeça e morreu no local.

O padastro convivia com Gabryel desde os quatro anos de idade da vítima. A mãe do jovem morreu alguns anos depois. Morais conta que esperava Gabryel para o jantar todos os dias. No momento do assassinato, por volta de 22h40min da terça-feira, o padrasto ouviu o estampido do disparo e saiu para a sacada do apartamento.

"Cheguei perto e não me dei conta de que era ele, estava de bruços. É trite, muito triste", relatou Morais, contando que trabalha em uma funerária e desceu a rua para orientar sobre os procedimentos que deveriam ser adotados com o corpo sem saber que o enteado era a vítima.

De acordo com Morais, as vias próximas ao local do latrocínio, como a Avenida Pernambuco e a Rua Ernesto da Fontoura, costumam registrar diversos casos de violência, incluindo roubo a carros.

"Não tem horário, não tem nada", afirma.

O padrasto afirma que, no passado, o jovem queria ser jogador de futebol porque o pai biológico de Gabryel tinha sido goleiro. Mais tarde, o jovem decidiu se dedicar ao jiu-jitsu.

"Tenho que procurar duas coisas, agora: procurar me conformar, entre aspas, e esperar o Gabryel, que sempre chegava tarde, nunca chegar", diz.

"Peço encarecidamente que não esqueçam disso que aconteceu. Só estou pedindo a mínima coisa que posso pedir, é segurança."

Fonte: Zero Hora

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