quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

"Eu só queria tirar alguém vivo", diz homem que resgatou corpos de vítimas de afogamento em Caxias

Velório de pai e filhas ocorre na igreja de Vila Oliva. Neto será sepultado em Esmeralda

Foto: Marcelo Casagrande /Agencia RBS

O clima era de comoção no velório de três das quatro pessoas da mesma família que morreram afogadas no final da tarde de terça-feira num açude de Vila Oliva, interior de Caxias do Sul. Na manhã desta quarta-feira, o pai, Adão Pinto Vieira, 65 anos, era velado entre os corpos das filhas, Bruna da Silva Vieira, 20, e Brenda da Silva Vieira, 14. O sepultamento está marcado para às 17h desta quarta, no cemitério da comunidade de Vila Oliva. O neto de Adão, Gabriel Gasperin Pinto, 14, será sepultado em Esmeralda, cidade onde morava. As informações são do Pioneiro.

Entre os amigos e familiares que lamentavam a tragédia estava o funcionário público Ginésio Rech, 53. Foi ele quem resgatou os corpos de Bruna, Brenda e Gabriel. Muito emocionado, Rech lamenta não ter conseguido retirar os três com vida. O corpo de Adão foi resgatado por outras pessoas, minutos antes.

"Como eu sei nadar, na hora eu só queria tirar alguém com vida. Mas, infelizmente, não deu tempo. A minha ficha só caiu uma hora depois. Foi muito desespero, uma tristeza sem tamanho", diz ele, que levou 15 minutos para encontrar os corpos.

O açude onde as vítimas se afogaram foi construído para que cavalos bebessem águam e também fossem banhados. Conforme Rech, no centro do local foi cavado um buraco para que os animais entrassem, mas a profundidade não representava perigo, aparentemente. 

"Quando eu entrei na água, pensei que era raso. Mas, logo cai nesse buraco. Foi ali que encontrei o corpo de uma das meninas. Depois, nadei mais uns metros e encontrei a outra. Nessa hora, me falaram que tinha mais uma pessoa. Daí, consegui me firmar num barranco e com os pés localizei o corpo do menino", explica Rech, que ficou sabendo da tragédia através do grupo de WhatsApp da comunidade.

Os afogamentos aconteceram em sequência. O primeiro a se afogar foi Gabriel, que estava montado no cavalo. O animal estaria bebendo água, quando resvalou próximo ao buraco e se assustou. Com isso, o menino foi lançado para dentro do valo, com cerca de 2,5 metros de profundidade. Sem saber nadar, ele se afogou e não conseguiu mais voltar para a superfície. 

Foto: Marcelo Casagrande / Agencia RBS

Minutos depois, o irmão de Gabriel percebeu que o cavalo voltou para casa sozinho e foi até o açude. Desesperado, ao visualizar Gabriel se afogando, ele chamou ajuda. Foi nessa hora que Bruna, Brenda e Adão entraram no açude, formando um cordão humano. Os três não sabiam nadar.

Apaixonados pelo tradicionalismo

Pai e filhas faziam parte do CTG Parque de Rodeios de Vila Oliva. Bruna e Brenda, inclusive, eram membros do piquete de prendas há quatro anos. No último final de semana, ambos participaram de um rodeio na comunidade.

"Elas estavam muito felizes. Essa a vida que gostavam, viver no meio da natureza, cuidando dos animais. A Bruna realizava o sonho de cursar Medicina Veterinária", conta a amiga da família, Michele Roberta Daneluz, 37. 

Brenda ainda estudava na Escola Erny de Zorzi, mas também já demonstrava que seguiria os passos da irmã. A lida do campo sempre foi uma paixão para ela, assim como para o Pai, que há quatro anos, quando voltou a morar em Vila Oliva, assumiu a responsabilidade de cuidar de uma propriedade rural. A casa onde vivia com as filhas, a esposa e mais um filho pequeno, de seis anos, fica a poucos metros do açude onde perderam a vida.

"Ele é considerado mais do que um funcionário. Sempre foi muito trabalhador e amava o que fazia. Nos finais de semana ficava envolvido com os rodeios", diz o compadre Ginésio Rech.

O neto de Adão, Gabriel, também já era apegado às tradições gaúchas. Há algumas semanas, o menino veio de Esmeralda até Vila Oliva passar férias na casa do avô.

PIONEIRO

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