quinta-feira, 27 de outubro de 2016

"Me ameaçavam de morte o tempo inteiro", diz vítima de sequestro em shopping

Aposentada foi feita refém quando deixava o estacionamento do Bourbon Ipiranga, no final da tarde de quarta-feira, e levada até o Praia de Belas

Aposentada de 67 anos conseguiu escapar de criminoso e chamou segurança, que trocou tiros com  suspeito no subsolo do estacionamento do Shopping Praia de Belas - Foto: Carlos Macedo /Agência RBS

De voz ainda trêmula pelo susto, a servidora pública aposentada de 67 anos, vítima de um sequestro relâmpago no final da tarde de quarta-feira, contou como foram os cerca de 50 minutos que ficou na mira de um revólver. Sob a condições de não se identificar, a idosa conversou por telefone com ZH na manhã desta quinta-feira. As informações são de Zero Hora.

Atacada depois de guardar as compras no porta-malas da sua caminhonete HRV, estacionada no subsolo do Shopping Bourbon Ipiranga, a aposentada foi obrigada a seguir por ruas da Capital até o Shopping Praia de Belas.

Enquanto um dos jovens utilizava seus cartões de crédito em lojas e caixas eletrônicos do shopping — o prejuízo é estimado em mais de R$ 4,4 mil —, o outro a manteve dentro do carro como refém.

Como a senhora foi atacada?
Eu tinha estacionado no subsolo do Bourbon. Guardei as compras no porta-malas. Sentei no banco e quanto ia sair, botaram uma arma na minha cabeça. Queria que eu entregasse o carro. Eu não quis. Discutimos e, quando propus entregar, ele não quis. Um então sentou do meu lado e o outro, atrás. Queriam que eu arrancasse o mais rápido possível. Então a gente andou pela Guilherme Alves, pela Protásio e numa rua, que não lembro o nome, passei a direção para ele e me colocaram no banco de trás. O tempo inteiro fui ameaçada.

O que eles lhe diziam?
O homem que estava com arma me dizia: "Vou atirar nesta velha. Vou atirar. Vou atirar". "Não, tu não tem só esses cartões", também me disseram. Nisso, eu já tinha entregado meus cartões do Banrisul e o Visa com as senhas.

Como vocês foram parar no Shopping Praia de Belas?
Eles queriam sacar meu dinheiro. Então seguiram dirigindo. Passaram pela Farrapos, pela rodoviária, pela Mauá. Queriam ir no Barra (BarraShoppingSul). Mas aí a gente estava perto do Praia e um deles disse: "Tá perto do Praia, vamos parar ali". Eles entraram pela contramão pela (Avenida) Praia de Belas. Então um ficou dentro do carro comigo no estacionamento do subsolo e o outro subiu para sacar.

O que aconteceu até a senhora conseguir fugir?
Ele ficava me ameaçando. Viu minha pulseira de ouro e tirou do meu pulso. "Essa velha não tem só isso", ele disse. "É casada?". "Sou", respondi, mesmo sendo separada. Aí ele disse que vinha aqui em casa. "Meu marido vai te matar", eu disse. "Sou muito mais rápido do que ele", respondeu.

Como conseguiu escapar?
Já tinham passado umas duas motos antes, mas muito rápido. Não tive coragem (de fugir). Vi uma oportunidade quando um segurança do shopping parou a moto quase em frente ao carro. Só que ele não olhou para o carro. Então peguei e desci. Bati a porta com toda a força e gritei: "Tô sendo assaltada!". "Por quem?", perguntou o segurança. "Por aquele cara", respondi, apontando para o cara que tinha descido do carro e saído andando. O segurança gritou para ele parar. Mas ele andou mais rápido e atirou. O segurança revidou e ele andou mais rápido. Apareceram mais seguranças, mas ele fugiu.

Quantos tiros a senhora ouviu?
Não sei. Mas, na delegacia, quando fui prestar depoimento, me mostraram um saco plástico com seis projéteis.

O que eles levaram da senhora?
Fizeram compras na Paquetá, mais de R$ 900, e na Centauro, de R$ 1,6 mil. Sacaram R$ 1,5 mil no Visa. No Banricompras, não sei se sacaram. Levaram minha pulseira, meu celular e R$ 460 em dinheiro.

Como os criminosos eram?
Eram dois guris jovens. Um, o que ficou no carro comigo e com quem conversei mais, me disse que tinha 21 anos. O outro parecia ter a mesma idade. Os dois tinham pele morena, usavam bonés e bermudas.

A senhora já tinha passado por algo semelhante?
Nunca tinha passado por isso. Foi a coisa mais horrível. O tempo inteiro estava sendo ameaçada de morte. Se não tivesse tido essa atitude (de escapar), eles simplesmente iam vir na minha casa.

Costuma ir no Bourbon Ipiranga?
Sim, moro no Jardim Botânico. Vivo ali. A única coisa que fiz de diferente é que sempre estacionava mais perto das portas e ontem (quarta-feira) não tinha lugar. Somente mais distante. Então botei bem no meio do estacionamento subsolo. Nunca tinha sentido medo. No shopping, sempre me senti segura.

O caso
De acordo com a Brigada Militar, uma mulher foi feita refém e levada por uma dupla de criminosos de dentro do estacionamento do Shopping Bourbon Ipiranga, às 18h35min, até o Praia de Belas. Depois de trocar tiros com seguranças, um dos suspeitos fez outro homem refém. Com uma arma apontada, o motorista teria sido obrigado a quebrar a cancela do shopping e dirigir até o bairro Petrópolis, onde o suspeito pulou do carro, levando o celular da vítima.

Ameaçado com arma, o homem teria sido obrigada a circular pela Capital. Passou pela Cidade Baixa e, ao na esquina das avenidas Protásio Alves e Ijuí, no bairro Petrópolis, como o trânsito parou, o suspeito saltou do carro, levando o celular do motorista. A vítima, então, foi até a 14ª delegacia registrar ocorrência. Ele, assim como a aposentada deixada no Praia de Belas, não ficou ferido.

Fonte: Zero Hora

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Deixe seu comentário. A livre expressão é um direito de todos desde que não haja ofensa,caso contrário será removido.